poema das três formas
Eu estou.
Tu ias.
Ele foi.
Eu estou.
Tu ias.
Ele foi.
to read is the best way to make you get what you want
Niikuni Seiichi, Post-War Japanese Poetry, (Penguin Books, 1972)
(Source: intheheatherbright, via cidadecitycite)
“Strange days have found us
And through their strange hours
We linger alone,
Bodies confused, memories misused,
As we run from the day
To a strange night of stone.“
(Jim Morrison)
a noite perdura
vagalumes:
esquecidas verdades fosforescentes —
O DESCONHECIDO — Na verdade és belo. Que idade tens?
MACÁRIO — Vinte anos. Mas meu peito tem batido nesses 20 anos tantas vezes como o de um outro homem em 40.
O DESCONHECIDO — E amaste muito?
MACÁRIO — Sim e não. Sempre e nunca.
O DESCONHECIDO - Fala claro.
MACÁRIO - Mais claro que o dia. Se chamas o amor a troca de duas temperaturas, o aperto de dois sexos, a convulção de dois peitos que arquejam, o beijo de duas bocas que tremem, de duas vidas que se fundem… tenho amado muito e sempre!… Se chamas o amor o sentimento casto e puro que faz cismar o pensativo, que faz chorar na relva onde passou a beleza, que advinha o perfume dele na brisa, que pergunta às aves, à manhã, à noite, às harmonias das músicas, que melodia é mais doce que sua voz; e ao seu coração, que formosura mais divina que a dela… eu nunca amei. Ainda não achei uma mulher assim. Entre um charuto e uma chávena de café lembro-me às vezes de alguma forma divina, morena, branca, loura, de cabelos castanhos ou negros. Tenho-as visto que fazem empalidecer… e meu peito parece sufocar… meus lábios se gelam, minha mão se esfria… Parece-me então que, se aquela mulher me faz estremecer assim, soltasse sua roupa de veludo e me deixasse pôr os lábios sobre seu seio um momento, eu morreria num desmaio de prazer! Mas depois desta vem outra, mais outra, e o amor se desfaz numa saudade que se desfaz no esquecimento. Como eu te disse, nunca amei.
(Macário, Álvares de Azevedo)
vida mor dorga
mor dorga vida
vida dorga-mor
dorga mor vida
toda bandida